Uma parada para pensar as COINCIDÊNCIAS

A simultaneidade de dois ou mais acontecimentos é algo muito mais comum do que paramos para prestar atenção. No entanto, poucas são as vezes que flagramos tal fenômeno, e por isso nos surpreendemos, o que indica talvez mais uma falta de perspicácia, do que falta de atenção. Afinal, sempre que constatamos uma coincidência, ela é enfatizada como tal.

Muitas vezes não tomamos conhecimento dos fatos de ocorrência simultânea ou com proximidade de tempo ou envolvendo a nós mesmos, ou quaisquer que sejam os envolvidos. No fundo, o que mais me intriga é tentar entender o porquê das coincidências, ou ainda, o que elas significam a quem as experimenta , vivencia. O meu ponto é: será que podemos resumir as coincidências da vida a uma simples simultaneidade de eventos como a definição do dicionário? Ou será que coincidências não existem e há algo por trás desses acontecimentos ora simultâneos?

Estou sendo confuso? Não é coincidência. Ok! Essas questões não são novidade, nem serei eu quem baterá o martelo. É fácil admitir que as coisas aconteçam porque no meio do redemoinho de possibilidades e das caóticas variáveis, é possível que dois eventos envolvendo pessoas com alguma ligação (em qualquer tempo) ocorram concomitantemente. Cético. Matemático. Do mesmo modo, é extremamente comum assumirmos que existem forças a nos guiar ou induzir – entenda-se força como um ser supremo, espíritos, os astros, os anjos, o destino, deus… –, o que nos leva a crer em algo além de nós reles mortais. É como se pudéssemos também atribuir a culpa dos acontecimentos a outrem, um terceiro. Não é o caso de que já esteja tudo escrito e sejamos apenas marionetes ignorantes, mas que pode haver uma certa confluência de energias, uma sintonia (como bem disse alguém que admiro).

Devo confessar que misturo as duas correntes sem que consiga sistematizar o meu pensamento a respeito, nem minhas atitudes. Entretanto, quando me deparo com uma coincidência ou quando a descubro, ou mesmo quando ela se me revela, persisto em tentar compreender o significado, o que essa simultaneidade de fatos quer me dizer, quais os sinais e o que comunicam. Certamente já passei por inúmeras coincidências, assim como já ignorei matematicamente muitas, porém algumas me instigaram e outras me foram muito importantes em decisões que tomei. (Essa estatística retrospectiva mesmo pode não ser mera coincidência, e conter um sentido oculto bem definido por trás, que infelizmente não alcanço. Por que umas eu passo batido e outras eu busco razões?)

Chego a pensar que este é um tema mais amplo e pessoal do que apenas capcioso. E que perdi o meu e o teu tempo. Coincidências existem ou não existem? Como interpretá-las? Estas não são perguntas retóricas, você não encontrará as respostas aqui. São na verdade perguntas que me faço.

Podemos dizer que pontos em comum entre pessoas são uma espécie de coincidência(s). Dessa forma, podemos concluir que procuramos e, em certa medida, escolhemos as coincidências que queremos próximas a nós, visto que escolhemos nossas amizades. Por outro lado, quando as coincidências ocorrem independentemente da ação das pessoas e de seus pontos comuns, poderíamos dizer que são elas a nos procurar? Se sim, por quê? O que exatamente isso quer dizer?

Por exemplo, sonhei com alguém com quem já tive um relacionamento (no meu caso, já é incomum eu lembrar meus sonhos), mas que quase não vejo, que inclusive mora em outra cidade – embora tenha seu espaço no meu coração. Enviei uma mensagem via meios eletrônicos até trivial: quanto tempo?, como vai você?, tenho feito isso, aquilo… Então a pessoa me responde que, por acaso falou de mim para alguém no mesmo dia do meu sonho. Coincidência? Simplesmente?

Estou desocupado demais ou é para parar um pouquinho e pensar?

Não uma, mas uma série de coincidências contribuiu muito para eu reatar um namoro após um ano e meio de separação. Quantificando assim até parece matemática, mas não acredito. Prefiro pensar que haja uma conexão entre pessoas afins, algo sem qualquer paranormalidade, nada sobrehumano. Por alguma razão – e é essa razão que, acredito, é onde reside o mistério ainda que não a identifiquemos – produzimos ou “escolhemos” uma sintonia com outras pessoas independente da proximidade no tempo e no espaço, isto é, seja quão próximo fisicamente estivermos, seja qual for a freqüência com que nos encontramos. Como se fosse algo que está em nós mas que não realizamos totalmente conscientes.

Vou terminar com um trecho do livro A viagem vertical de Enrique Vila-Matas em que amplio um pouco o campo semântico do termo que escolhi de mote para escrever – coincidência – já que ele usa outra palavra: casualidade, mas a idéia está lá. “Na casualidade da rua – porque as ruas são o lugar ideal para as casualidades que a vida moderna oferece. (…) Em certas ocasiões, é apenas uma fração de segundos, às vezes o amor só exige o tempo necessário para que uma pessoa desconhecida cruze nosso caminho e nos olhe, e para que nós, ao retribuir o olhar, descubramos o sentido mais profundo da paixão.” (p. 66)

Talvez, “o acaso vai me proteger enquanto eu andar distraído”!

 

Paulo Roberto Laubé

Cabelo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s