Crônicas de Barnia 3

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– Vamos tomar uma cerveja.

– Não vai dar, tenho que estar em casa antes das 8

– Ora, mas agora são 5…

– É, só que tomar uma cerveja não dá. Uma cerveja é substantivo coletivo de várias. É como uma frota, uma manada, Uma alcateia. Como você não diz “Uma manada de cerveja”, você acaba dizendo “uma cerveja”, entende? Mas se referindo as dúzias de cervejas que virão.

– Então ta, a gente combina assim, vamos tomar duas cervejas. Daí o número fica limitado e fica tudo certo.

– O problema é a saideira.

– Por que?

– Ora, porque dependendo de como estender a saideira, eu me atraso e aí a minha mulher me mata. Sabe como é, “traz outra saideira”. Aí tem a saideira, outra saideira, a última, a expulsadeira, a derradeira e a dejair.

– Dejair?

– É de já ir embora.

– Tá certo. Vamos lá;. Tomaremos duas cervejas e a saideira, limitada a uma, e não mais que isto, e vamos embora sem pestanejar.

-Combinado. Assim eu chego cedo em casa.

Daí os dois foram tomar duas cervejas e uma saideira, limitada a uma. E o sujeito chegou quase duas horas da manhã em casa. E só não deu separação, porque ele conseguiu convencer a mulher, mas apenas desta vez. No dia seguinte, voltaria a ouvir, e depois, e depois. Porque discussão com mulher é também um substantivo coletivo de várias. Uma alcateia de discussões.

Bogado Lins é escritor, roteirista e articulador do Literatura Cotidiana

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