O ciclo controverso da individualista sociedade contemporânea

Fala a verdade, um título desse até parece uma tese, hein? De repente até a crônica traz um conteúdo… diz aí!

As propagandas de televisão fomentam, os perfis nas redes sociais exemplificam-no e as relações interpessoais  comprovam a “doença” da sociedade capitalista  contemporânea ocidental: o individualismo – o trunfo do capitalismo que o faz triunfar. Não entendeu? Mas é isso mesmo. É um círculo, compreendeu?

Ao contrário que muitos dizem, a tendência à individualidade não é recente, é algo contemporâneo já de aproximadamente um século, por baixo. A partir do imperialismo das nações mais desenvolvidas nas primeiras décadas do século XX e da ascensão dos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial, houve um “bombardeio” de ideias liberais, de propagandas, de mercadorias e, algum tempo depois, o surgimento de uma indústria cultural – no sentido “frankfurtiano” do termo – que espalharam a cultura do consumismo pelo mundo ocidental. Tal fato é comprovado, sobretudo, com a política do “welfare state” americana que passa a ser exportada para o mundo capitalista.

            Ok, mas e o círculo, não é? O ciclo do capitalismo gera o individualismo, visto que, nesse sistema, para a economia avançar é necessário o consumo. Em outras palavras, o sistema oferece produtos, mas nem sempre a massa consome-os, então a propaganda cria a necessidade de adquirir a mercadoria por parte do consumidor. Como? Justamente criando no imaginário das pessoas a maneira como o tal produto pode distingui-las. Assim, os indivíduos compram. Porém muitos fazem-no, muitos são contaminados pela propaganda, então o produto massifica-se e deixa de distinguir cada consumidor. Por conseguinte, o sistema disponibiliza um novo produto – muitas vezes é o mesmo apenas com nova “roupagem” – e o círculo perpetua-se.

Nesse contexto, as redes sociais são espelhos de como os indivíduos querem mostrar-se em relação aos demais. Só para ilustrar, é como se dissessem: “olha, eu ‘curto’ a banda XYZ que ninguém conhece, sou diferente! (Quem nunca?) Passados dois ou três dias, a banda ‘viraliza’”. Um mês depois ninguém se lembra. É um ciclo entre a busca pela individualização que, com o passar do tempo, torna-se algo massificado; e de ciclo em ciclo, o capitalismo triunfa com múltiplas espirais uma vez que os círculos perpetuam-se. Mas lá nas redes como na vida real (não virtual), fatalmente ocorre a identidade em grupos de afinidades, o que promove competições. É a massificação em blocos, ou seções da sociedade, mais conhecida como “nichos de mercado”. Neste caso, poderíamos dizer que em relação ao todo social, os nichos também são uma busca pela individualização, ainda que dentro de uma identidade de grupo.

Portanto, ao mesmo tempo que o sistema capitalista, por meio da publicidade principalmente, estimula o individualismo, ele também promove a massificação. Enquanto individualmente a pessoa busca destacar-se, ela é mais uma dentre milhares que o fazem da mesma forma, por isso é uma controvérsia. Não obstante, quanto mais almejam satisfazer anseios pessoais, maior é o egoísmo e mais em segundo plano são deixadas as questões coletivas.

E com crise ou sem crise, em recessão ou não, o capitalismo segue triunfante! Keynes até já enunciou que na pior das crises, a solução é gastar mais. Pena que o velho Marx não tenha previsto essa capacidade do capitalismo de fagocitar tudo, até suas oposições… de repente teríamos alternativa.

 

 

Paulo Roberto Laubé

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