Uma História por trás de 3 mil filmes

downloadAo que tudo indica, todo o publicitário tem um embate pessoal que se defronta ao longo da sua vida: ser ou não ser, eis a questão. O fato é que em determinado momento de sua criatividade, talvez logo no início, na faculdade, ele optou em utilizar seus poderes criativos para um fim as vezes considerado menos nobre: ganhar dinheiro. Alguns conseguem, e como, outros nem tanto, mesmo assim de forma geral estão melhores do que a massa de artistas que optam de alguma forma serem “artistas” propriamente ditos.

Na realidade, a propaganda sempre teve um relacionamento íntimo com a arte. Grandes atores fizeram campanhas memoráveis, artistas ilustraram embalagens e campanhas de inúmeros produtos, cineastas premiados estão dirigindo nesse momento vídeos que estarão na televisão em uma ou duas semanas. Nada de novo no front. Há, porém, alguns casos em que o artista, talentoso de verdade, por algum motivo, escolhe ser publicitário e apenas publicitário, simples assim. E talvez este seja o caso de Andrés Bukowinski.

Pois bem, isso posto, já explica bastante o atrativo do livro Andrés, Uma Vida em  mais de 3 mil filmes, que traz a biografia do diretor Andrés Bukowinski que esteve por trás de algumas das propagandas mais lembradas e premiadas do Brasil desde os anos 70. Para se ter uma ideia, Bombril e Bamerindus, sem dúvida duas das campanhas mais inusitadas e duradouras do mundo, foram conduzidas pelo mestre, que até hoje está na ativa na Aba Filmes.

Mas qual é a surpresa quando isso é absolutamente o de menos no ditame?  Sua história de vida na Polônia ocupada pelos nazistas, depois pelos soviéticos, sua fuga para  a Inglaterra e ainda a juventude na Argentina e seus primeiros passos na carreira de diretor de publicidade são ingredientes que acabam sobressaindo ao longo de sua trajetória.

No fundo, o único problema do livro é não conseguir realizar uma passagem harmoniosa entre sua narrativa pessoal anterior e sua trajetória na propaganda brasileira. Talvez seja derivado de uma decisão racional da autora, tentando agradar tanto o público leigo, quanto quem é do ofício, ou ainda buscando mostrar as diferentes facetas de Andres.

Mesmo com esse pequeno percalço, o livro é uma leitura que prende do início ao fim. E por isso, vale a pena, tanto para publicitários, como para artistas, ou ainda para aqueles que apenas desejam uma boa leitura. Afinal, quem com mais de trinta anos não riu do garoto propaganda mais engraçado do Brasil? Pois é, o tempo passa, o tempo voa, mas certas ideias continuam, sempre, muito boas.

Bogado Lins é escritor, roteirista e articulador do Literatura Cotidiana

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