Descasos da Aclimação

 Há 7 anos…

 “Pouco mais de uma hora e meia no dia 23 de fevereiro foi o suficiente para tragar 75 mil metros cúbicos de água do lago da Aclimação, mais peixes e vários patos, gansos e outras aves migratórias que viviam no lago. Hoje, sábado 28 de fevereiro, foi marcada uma manifestação pelos freqüentadores do parque junto com a Associação Amigos do Parque da Aclimação cuja intenção era dar um abraço em torno do lago. No entanto, mesmo com o grande número de manifestantes não foi suficiente completar o abraço e, o mais chocante, ainda havia inúmeras pessoas que praticavam seus exercícios e caminhadas como se nada estivesse acontecendo. Não sei o que foi mais mórbido: se a imagem do parque no dia seguinte ao acidente ou se a indiferença de alguns freqüentadores.

 Pelo que foi divulgado em folheto distribuído pela Prefeitura hoje no próprio parque, a causa do acidente foi o “rompimento do extravasor do vertedouro, que drenou toda a água do lago” devido ao grande volume de chuva e o conseqüente aumento da pressão no sistema de águas pluviais e nos córregos da região. Mas, ainda segundo o informativo, o “extravasor” já foi consertado e hoje já começariam a fornecer água para reencher o lago e dar início ao processo de licitação para remoção do lodo e restabelecimento do lago.

 O grande problema é que todo esse processo é muito custoso e lento, com prazo de até 120 dias apenas para a licitação, caso realmente seja feita. Afinal, com o lago já cheio não se vê nem o lodo, nem todo o lixo que existe lá. Ou seja, seria como varrer a poeira para debaixo do tapete. Por outro lado, se o caso for tratado como acidente ecológico – como de fato foi, uma vez que morreu uma série de animais e toda a fauna do parque e região está inter-relacionada ao lago – as medidas cabíveis do ponto de vista ambiental precisariam ser efetuadas em caráter de urgência.

 O acidente mostra o descaso e falta de manutenção por parte do poder público mesmo com a atuação dos Amigos do Parque. Somente no bairro da Aclimação é possível dar mais dois “belos’ exemplos desse abandono e não é de hoje. Desde que nasci moro no bairro e poucas foram as vezes em que vi o chafariz da praça General Polidoro funcionando, sem falar no jardim em torno do chafariz que cresce sem qualquer cuidado. E, apesar da praça ser cercada, não há qualquer tipo de vistoria ou policiamento, servindo constantemente de estadia para a mendicância.

 Outro exemplo do completo abandono é o mirante da praça Jorge Cury que tem vista para o Parque da Aclimação: todo pichado, com o mato alto, e com um insuportável odor de fezes e urina nas escadarias que levam a uma das entradas do parque. Além disso, o local e constantemente freqüentado por usuários de drogas durante o dia e a noite. Isso sem falar nas várias construções de edifícios do bairro que simplesmente arrancam árvores com mais de 50 anos das calçadas sem qualquer fiscalização, tornando a Aclimação cada vez menos arborizada.

 Mas se o lago da aclimação estiver lá, em pouco tempo ninguém dirá mais nada…”

 E lá se foram 7 anos e o que mudou? Apenas o lago. Afinal, com as obras do novo vertedouro a vazão de água aumentou, consequentemente, o lago passou a ter um nível mais baixo que antes do acidente.

 Dessa forma, mudou bastante a cara do lago e de seu entorno. Os frequentadores mais antigos facilmente reparam o quanto aumentou a porção de terra que margeia o lago. O pessoal que frequenta até passou a fazer mais piqueniques e jogos de vôlei e futebol em trechos que antes eram cobertos pela água. Ok, não serei um purista conservador, ainda é o lago, ainda é o parque.

 Porém o descaso continua. O Parque da Aclimação é cortado pela Rua Pedra Azul e, em sua menor porção ao lado do Instituto Helen Keller, ele é fechado ao público. Nunca soube o porquê. Mesmo sem saber é fácil notar nos últimos dez anos como esse pedaço do parque vem sofrendo. É comum ver pessoas entrando e saindo por partes da grade quebradas, ou pelos portões quando abertos. Não sei se são funcionários, jardineiros, ou gaiatos. Sei que quando eu era criança olhar para esse pedaço do parque era como olhar para uma floresta fechada, tamanha a quantidade árvores. Já hoje, é fácil ver o céu através das árvores restantes.

 Além disso, a minha vida inteira vi as construtoras erguendo edifícios em locais que não eram permitidos. Assim, como a demolição de casas sempre foi uma constante, até mesmo nas imediações do parque e na Avenida da Aclimação.

 E as praças Jorge Cury e General Polidoro permanecem exatamente como há sete anos. Para não dizer que estou exagerando, o jardim da Praça General Polidoro vez ou outra é aparado.

De todo jeito, quem está preocupado com praças e parques se agora podemos abrir largas avenidas para o lazer aos domingos, não é mesmo?

Paulo Roberto Laubé professor das redes particular e pública de São Paulo, às vezes jornalista

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Uma resposta em “Descasos da Aclimação

  1. Gostaria de compartilhar com você um problema crescente na Aclimação. Em específico a Praça General Polidoro. Já é de conhecimento do aumento dos moradores chineses no bairro. Através do Processo Administrativo assinado pelo subprefeito AR-SE 2016-0.150.261-0, a Câmara de Relações Comerciais Brasil-China irá assumir a manutenção das Ruas Turmalina, Topázio, Safira, Esmeralda, Agara, Diamante e da Praça General Polidoro. Eles irão descaracterizar o bairro e implementar o famoso portal chinês na praça! Não sei se eu sou o único a discordar, mas acredito que devemos proteger nosso bairro. Att William

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