Histórias de forma a reformar formas

Hoje não vou tratar das reformas propostas pelo atual governo federal brasileiro, acho melhor discutir outras coisas talvez mais interessantes. Idade, velhice, atualização, que tal?

Aliás atualizando temas mais globais que a nossa politicalha tupiniquim (coitados dos tupiniquins, serem associados a cada coisa…), EUA é um país desenvolvido, obviamente, mas houve um preço a sua população. Além de ser talvez o exemplo mais consistente de liberalismo econômico em prática, seus trabalhadores vivem em condições que assustam boa parte os empregados daqui. Entre outras coisas, “os Estados Unidos são o único país desenvolvido que trata férias como um “presente” ao empregado, não como um direito. […] Isso significa que decisões sobre férias, ausências por doença ou feriados nacionais são negociados caso a caso entre empregador e empregado. O padrão de várias empresas americanas é dar de 5 a 15 dias de férias pagas por ano a seus trabalhadores, mas um estudo recente do instituto americano Center for Economic and Policy Research mostrou que um em cada quatro trabalhadores da iniciativa privada não recebem nenhum dia de férias pagas.” (Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141112_vert_cap_ferias_dg Acesso em: 21/04/2017)

25% dos trabalhadores americanos sequer tiram férias. Desse modo é fácil imaginar porque vê-se em tantos filmes o medo em qualquer funcionário de tirar férias ou de faltar por motivo de doença. A insegurança sobre a manutenção de cargo ou função é tanta que as pessoas simplesmente evitam ausentar-se. Dessa forma, a manutenção do emprego passa a ser prioridade frente à saúde do indivíduo. (Deixo uma indicação, assista aos documentários de Michael Moore Where to invade next e SOS sicko.) Mas claro, eles são desenvolvidos e a saúde lá é para todos…

Por outro lado, há quem diga – inclusive o deputado Rogério Marinho do PSDB – que o problema da CLT brasileira é a data de nascimento antiga, ela estaria idosa e precisaria de uma reciclagem, afinal ela está desatualizada. Porém olha que coisa, EUA tem a sua lei que estabelece entre outras coisas o que se relatou acima, também chamada Ato de Padrões Justos de Trabalho, datada de 1938. Pois é, ela devia estar bem à frente de seu tempo! Ou servir muito bem aos mandatários daquele país. Aliás, a antiquada CLT tupiniquim é de 1943, sancionada em 1O de Maio por Getúlio Vargas. Ah nada como ter um “pai dos pobres”… É, só que Getúlio foi “mãe dos ricos” deixando os sindicatos sob controle, evitando greves e concedendo inúmeras facilidades a industriais.

Bom, já que se falou sobre o problema da antiguidade da CLT, que tal lembrarmos que acima da CLT existe a Constituição para preservar mínimas condições de vida em sociedade, muito além das relações de trabalho apenas. Ora, veja que coisa, a Constituição brasileira é de 1988, novíssima, e sempre afeita a mais uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional), entretanto, o código máximo daquele país – putz! vou falar de novo de EUA – é de 1787, um absurdo! Está pra lá de caduca de tão velha! Deve precisar urgentemente de uma modernização, “de um salto para o século XXI”! Como pode ser desenvolvido?!

Falando em caducar, e se falarmos dos códigos de conduta estabelecidos pelas mais populares religiões do planeta? Muita coisa, né? Ok, vamos pegar as principais dos EUA – ai, de novo! Pois é, lá mais de 70% da população (Fonte: https://estadosunidosbrasil.com.br/perguntas-frequentes/religiao-nos-estados-unidos/ Acesso em 25/04/2017) é formada por cristãos em sua maioria protestantes. E mais uma vez temos nesse país regras para lá de antigas ainda em vigor e seguidas por uma parcela considerável do povo, visto que qualquer religião baliza de algum modo a vida de seus fiéis. Sim, Calvino, Lutero, Henrique VIII, viveram há pouco tempo, uns 500 anos!

Sem contar que ainda temos um outro, de quem protestantes reformularam as ideias, regras, e tudo mais, um tal de Jesus. E este tem só uns 2 mil anos. É isso, os protestantes viram que precisavam reformar os preceitos de Jesus provavelmente para dar uma atualizada na coisa, afinal o Novo Testamento já fazia mais de milênio. Se levarmos em consideração, por exemplo, os dez mandamentos, deveremos considera-los “leis fósseis”. É, faz sentido, “não matarás” não cabe muito bem aos EUA… No entanto, os tais mandamentos ainda encontram seguidores – talvez não dos dez – em corpulento contingente aqui e lá “na terra das oportunidades”. Se bem que “não matarás” também não cabe muito bem aqui…

Estou começando a achar a CLT não muito antiga…

Estou começando a achar que coisas velhas e atuais são relativas…

Por essas razões, certamente não é mal copiando o modelo dos EUA que o Brasil se tornará desenvolvido. Fazer isso seguindo aquele país é desconsiderar algumas relações de trabalho como as expostas aqui e muito mais, é ignorar suas guerras, seus desastres ambientais, sua história.

Ninguém pode viver a vida do outro, então o que serve para uns não necessariamente serve a outros. Simples assim!

Paulo Roberto Laubé

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