Pajé do Design

O Digão me ensinou uma coisa. Quando certo dia, por um motivo ou outro, perguntei a ele, se aquilo era do seu tempo. Ele retrucou na hora: “meu tempo é hoje!”. Na verdade, essa é a versão simplificada, resumida do causo,  absolutamente não foi assim. Certeza que foi de  uma  forma completamente diferente mas, na real, como ele disse a tal frase, de fato pouco importa. O importante é a repetição constante que já virou característica. “Digão, acho que isso é do seu tempo…”  e ele prontamente,” que nada, meu tempo é hoje”. Sinceramente, acho que o tempo dele é amanhã. Como diria Mário Quintana, nunca somos contemporâneos de nós mesmos.

Quem está perto do Digão, está perto de sonhos. E eles  são, digamos, a matéria prima do futuro. Ele os tem cotidianamente – intenções, propósitos, projetos incríveis que mobilizam pessoas e por vezes se concretizam.  Outras vezes não, mas até aqueles que ficam no caminho, servem de substrato para outros que ainda estão para nascer. Mas muito além de sonhar seus próprios sonhos, Rodrigo está sempre sonhando em coletivo. Cada vez mais pessoas o procuram para tornar real suas abstrações..  E, como dizia Raul, sonho que se sonha sozinho é só um sonho. Mas sonho que se sonha junto… se chama realidade.

Mas o Lima é muito mais que uma pessoa para realizar o inexistente. Ele também é cheio de cotidianos. Está pronto, seja a hora que for, para fazer logos, e-mails marketing, fundos de palco, telas, banners e campanhas inteiras para clientes de todos os tipos. E fazer, refazer e fazer de novo, mais uma vez. Há quem diga que ele não dorme, mas isso é pura intriga. Quem o conhece sabe que ele desenhou uma cadeira especial para pilotar a sua SS Enterprise. Basta ele se conectar com seu cabo USB no móvel inteligente e recarregar suas energias. Tanto é verdade, que é só ele sair dela que o seu sono aparece. Ao menos, há relatos bastante convincentes que isso ocorreu. Nunca mais eu vou dormir, nunca mais eu vou dormir…

Particularmente gosto da sua autoconfiança imutável dentro de sua fluidez diária. Quando o mundo está prestes a cair – digo para as pessoas ao redor, incluso eu, por vezes, porque o mundo em si também é assim nessa fluidez imutável – ele continua lá com uma naturalidade segura que, no final, sim, vai dar certo. E invariavelmente dá, com trilha sonora de Di Melo “calma, calma, calma…” tocando em freqüências inaudíveis para os ouvidos despreparados.E, por isso, todos gostam de tê-lo por perto também quando mais se precisa.  Afinal, uma certeza nada mais é que a soma de determinações. E uma determinação inabalável vale mais do que várias dispersas.

Sua postura budista exibindo um sorriso constante contrasta com seus contatos indígenas de terceiro grau.  A sua paz na verdade é muito mais na certeza do caminho a ser percorrido do que propriamente de uma serenidade harmoniosa. Em seu interior, mil projetos pelejam para emergir e se tornarem reais.  Porém, para descobrir isso é preciso atravessar algumas camadas de silêncio até chegar em alguns dedos de prosa e sua pupila dilatada. Por vezes, até se escuta lá no fundo o Pajé, ou  espíritos da natureza se manifestando e dizendo as verdades necessárias, seguidas das suas baforadas do seu cigarro de palha.É nesse momento também que as entidades ancestrais se manifestam e mostram um par de cicatrizes,sobreposições de mistérios e uma força interior derivada dos desafios superados.

Ele diz que não tem religião mas, sabemos, é mentira. O design é sua fé. Posso escutar suas sábias palavras me alertando para a perfeição da criação. “Bogado, o design é tudo, desde a eficiência, a beleza, a funcionalidade, absolutamente cada detalhe, faz parte do design”. Cultua alguns dos mestres do assunto, como aquele que foi a Índia e voltou iluminado, o Steve Jobs. “Taj Mahaaaalll, Taj Mahallll. Ele provou da maçã e, desde então, a Apple foi seu guia. Outros softwares testaram sua força de vontade. Aliás, estamos falando de um fanático religioso. Se pudesse, excluiria do mundo Power Point, Word, Microsoft, Corel Draw e outros programas que não levam sua religião a sério e seus respectivos criadores.Mas independente dos seus iconoclasmos e ímpetos violentos quem não tem seus problemas?

Sua perseverança conseguiu, pouco a pouco, reunir pessoas incríveis em torno do seu propósito. Cada uma delas vale uma ou mais crônicas como essa em um tempo muito breve. Poderia se chamar isso de uma empresa, empreendimento ou uma marca, mas na boa, vai muito além disso. Trata-se seguramente de uma irmandade com o Tim Maia cantando de fundo “No Caminho do Beeeem”. Sim, pessoas que se tornaram amigas e espero caminhar junto delas ao longo da minha jornada.

Guardo com cuidado a ficha de ouro. Aquela que aciona o amigo no momento mais necessário para virar a mesa, para ganhar o jogo. Ter amigos assim é como uma certeza que não se está sozinho, seja lá o que for, e que a soma das partes é muito mais que um. É nóissxxx.

Bogado Lins é escritor, roteirista e parceiro do Digão.

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