Somos Artistas

Somos artistas.

Somos livres e nossa principal liberdade é não estar no aqui, nem no agora. É estar além do tempo, onde o hoje se encontra com o pretérito e o futuro. Atemporais. Estamos além do espaço, conectados com nossos semelhantes.

Somos artistas

Somos corajosos. Não tememos a censura, não tememos os censores. O que nos move é o propósito. E quanto mais o medo é propagado, mais somos impelidos a ser o que somos. Enfrentamos reis, imperadores, ditadores, generais de todas as cores, símbolos, países, tempos, partes do mundo.

Somos artistas

Somos divertidos. Rimos do poder e dos poderosos. Mostramos suas fraquezas, suas mesquinharia. O quanto são ridículos e como o rei, invariavelmente, sempre está nu. E o riso ecoa pela corte e através dos tempos.

Somos artistas.

Somos fortes e nossa principal fortaleza é enfrentar de peito aberto nossos sentimentos. Vivemos nos nossos extremos. Mergulhamos em nosso próprio abismo e retornamos prontos para a prisão, tortura e até para a morte.

Somos artistas

Somos dispersos. E isso é o que nos torna imensos. Enquanto um está em uma fronteira, há tantos em outras. Expandimos sobre todas as questões do nosso tempo e, as vezes, as que ainda nem são. Se um entre nós não está pronto, haverá outro preparado e de peito aberto.

Somos artistas

Somos muitos. As vezes com nome, as vezes sem nome.. Somos muito mais do que um individuo, ou vários. Podemos ser uma atitude de alguém, um impulso, um pensamento. Somos uma força que passa de um para o outro. E que quando se concentra em alguém,  é absolutamente explosivo.

Somos artistas

Somos populares. Mobilizamos dezenas, centenas, milhares, milhões de pessoas. E sem um tostão no bolso. Vamos onde o povo está. E com o tempo, o povo vem a nós.

Somos artistas

Somos solitários. Não precisamos agradar, não precisamos de aprovação. Não precisamos de vocês. Não precisamos de ninguém.

Somos artistas

Somos imprevisíveis. Não há como antecipar nossa próxima ação. Enquanto vocês são movidos por estratégias, nós somos movidos por uma força incontrolável. A fúria da expressão, que não se cala.

Somos artistas.

Somos revolucionários. Renascentismo, iluminismo, independências, liberalismo, socialismo. Nomeie um grande acontecimento e saiba que estivemos lá.

Somos artistas.

Somos movidos por desafios. Estávamos acomodados atrás de um balcão, anestesiados em pequenas profissões, vendendo produtos, notícias e mesquinharias. Mas agora, voltamos a ser ameaçados. E a história prova que é justamente nesse tempo que nos tornamos mais fortes e ousados.

Somos artistas

Somos eternos. Enquanto vocês vencem batalhas, nós vencemos a história. As obras dos artistas permaneceram, enquanto os nomes deles pereceram ou foram amaldiçoados.

Somos artistas

Vocês estão mexendo com as pessoas erradas.

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Os Lestics e Os Folhetins da Vida

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Durante anos, tentei fazer com que a banda folk Lestics entrasse numa novela do Silvio de Abreu da Rede Globo. Ele pedia dicas para determinados personagens que criava para seus folhetins. Deve ter uns 3 discos dos Lestics de formações diferentes. Não tinha a intenção de vender a banda ao sucesso ou coisa assim, apenas gostaria que mais pessoas conhecessem as letras e melodias de uma banda que possui uma qualidade ímpar em sua obra. Que bom seria que mais pessoas a conhecessem…

Conheci a banda no meio da década passada quando era Olavo (voz), Umberto (violão e Piano), Patu (baixo), Felipe (batera) e o Lirinha (guitarra). Como amigo do Lirinha, fui apresentado à banda. Era um simples ensaio no Nimbus, mas as suas musicas já me chamaram a atenção, principalmente, Plano de Fuga, com seu baixo Mccartiano e sua letra que diz que nem tudo esteja perdido. Sim, eu também acho que nem tudo esta perdido.

Olavo e Patu ainda continuam na banda. Fui a um show, recentemente, onde tocaram as canções de seu sétimo álbum ainda não lançado. Eles tocaram em um lugar chamado Casa Do Elefante. Este lugar vende DVDs, LPS e alguns livros. Um tipo de lugar que está se tornando comum na cidade de São Paulo – lugar pequeno com boa musica e as pessoas interessada pela musica que é tocada pela banda. E o Lestics fez seu show, como sempre honesto e poeticamente singelo.

Uma vez em um festival de Folk nos anos 2000, organizado por meu amigo Pedro Gama, enchi a paciência do Olavo após o show para tocar minha musica da banda predileta O Rio. Ele e sua esposa estavam visivelmente irritados comigo e com toda razão, me presentearam cantando à capela a letra abaixo:

O rio me leva a Lisboa
O rio me leva a Paris
O rio me leva pro mar
mas antes me traz aqui

Ele corre escada acima
Ele inunda a casa inteira
Ele cai pela janela
e se faz de cachoeira

Cheguei a tocar com alguns membros do Lestics. O excelente baterista Pio Parts e o multi instrumentista Primo. Músicos de primeira e pessoas que passaram poucas e boas comigo. Pio Partes saiu recentemente da banda, gravou o álbum Seis da banda e partiu. O Primo teve rápida passagem na banda, mas de vez em quando conversamos sobre o assunto.

Seu álbum seis possui participação especial do grande Bocato em Entre Caracas e Paramaribo. Destaco a sublime Um jeito especial de dar errado, que foi até trilha de relacionamento deste que vos escreve. E acredite todo mundo se identifica com a frase que diz que a gente não foi feito para dar certo, mas encontrou um jeito especial de dar errado.

Quando os Beatles acabaram, perguntaram a para Mick Jagger qual era melhor banda que existe ( todos esperando que agora ele ia dizer que era os Stones) ele disse que era a banda que toca no bar da esquina de sua casa. Concordo com Mick Jagger por isso vi tantos shows de inúmeras bandas com um publico pequeno e às vezes desinteressado, mas vi a verdade, a beleza e o mistério que somente a musica pode transmitir. Mick Jagger os Lestics é uma dessas bandas, aquelas que são a melhor que existe.

Guilherme Inhesta é alguém que olha para a direita e para a esquerda do tempo, John Cale numa banda que só toca Velvet Underground e estudante de Arte Contemporânea.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Espanha Em Mim e Em Toda Parte

São Paulo esta tendo seus dias de Espanha:  o filme Julieta de Almodóvar está em cartaz, a exposição Valise Mexicana com fotos de Robert Capa sobre a guerra civil Espanhola ocorre na Caixa Cultural e ainda a exposição de Pablo Picasso “Mão Erudita, Olho Selvagem” fica no Instituto Tomie Ohtake até 14 de agosto.

Impossível não querer ir ao cinema para assistir um dos mais importantes diretores da atualidade. Pedro Almodóvar possui uma obra cinematográfica importante e pessoal com altos e baixos. Julieta está no “alto”, com certeza, a historia de uma mãe lidando com o desaparecimento voluntario de sua filha é envolvente. Almodóvar é um dos mestres do drama, Douglas Sirk com certeza o chamaria de um excelente discípulo. Mas vale a pena citar que existe algo a mais que Sirk no cinema de Almodóvar e é a Espanha. Em suas ações e reações características de uma cultura com sangue latino. Ir ao cinema também é sentir um sonho em outro idioma.

Na exposição Valise Mexicana na Caixa cultural no centro de São Paulo, encontra-se um dos maiores fotógrafos de todos os tempos o Sr. Robert Capa, junto a ele temos fotos de Gerda Taro e David Seymour. A Guerra Civil na Espanha na década de 30 foi responsável por mais de 40.000 mortes. A raça humana às vezes me decepciona. Mas a coragem dos jovens fotógrafos é também um feito de nossos pares. As fotos em geral são feitas em batalhas nas cidades, em campos, ateliês e até mesmo em igrejas. A guerra chega para tudo e para todos. Existe uma opção politica dos fotógrafos e suas fotos transmitem, além da paixão por aquele oficio sendo criado por eles. Existe também na exposição um “certo” Hemingway que aparece em uma bela foto.

Ele é um dos maiores (o maior?) artistas do século passado, Pablo Picasso está no Thomie Othake. A exposição conta com mais de 100 peças do artista, inclusive com uma sala muito boa com o tema da Guernica. Recomendo a canção a Pequena Guernica dos Lestics ( Minha próxima crônica será sobre eles, grande banda ). Picasso foi um artista que colocou tudo em sua obra família, desejos, medos, amigos e tentações. O quadro O Homem Com Chapéu é um exemplo da genialidade de Picasso. Ele fez um quadro daquele com apenas 14 anos. Picasso dizia ser fã de Dom Quixote, assim como este que escreve entendemos um pouco mais de nos mesmos ao ler as aventuras do Cavaleiro da Triste Figura, talvez esteja em Cervantes uma grande influencia de Picasso.

A metrópole tem seus inúmeros defeitos, impossível que um crescimento tão acelerado como o que aconteceu em São Paulo não traga problemas de diferentes formas e maneiras. Mas a Espanha está conosco e se mostra em sua cultura neste semestre na nossa cidade. Faço destas pequenas e singelas palavras meu convite a você conhecer não só as mostras, filmes e fotos, mas sim nossa cidade que é também ela em grande parte também espanhola.

Guilherme Inhesta é descendente de espanhóis, corintiano, respeitador da sinalização, músico, intrigado pelos acasos e acima de tudo apreciador da cerveja que irei lançar chamada Com Moderação.

Não Simplifiquem Meu Ídolo

garrinchaFui assistir ao espetáculo Garrincha de Bob Wilson e, ao final, fui impelido a escrever sobre o assunto. Sempre ao acompanhar uma obra, procuro os pontos positivos. É quase uma ética relativa às dificuldades que qualquer artista encontra no seu ofício, até porque no fundo qualquer manifestação artística tem algo a oferecer.  No entanto, a peça Garrincha prova que se o intuito inicial, o mindset, não acertar o direcionamento, joga-se fora todo o esforço. Mais que isso, neste caso, estamos falando de reforçar um erro.

Se não conhecesse a história de Garrincha, se não tivesse lido a brilhante biografia escrita por Ruy Castro, A Estrela Solitária, talvez pensasse que o personagem fosse apenas um abestalhado que , por jogar bem futebol, alcançou uma fama fugaz que sua imbecilidade deixou escapar. Os personagens clownescos que rodeiam o enredo – que mais parecia uma colagem cronológica que, sem o programa, seria difícil desvendar – infantilizam uma das maiores tragédias do futebol brasileiro, quiçá de todo imaginário do país. Aquela criança com riso irritante e os pássaros comentaristas avoados selam o destino da obra a ser apenas um musical saltimbanco.

Talvez tudo isto seja verdade? Talvez Garrincha fosse realmente, no fundo, apenas um infante de pernas tortas? Sim, talvez. Afinal, Garrincha tinha algo infantil, era alcoólatra, mulherengo e realmente botou tudo a perder, o que em resumo, é o que diz a história. Mas a narrativa deixa escapar toda a complexidade do personagem, todo o enredo ao redor que o alça a uma tragédia marcante: o alcoolismo desenvolvido na infância proveniente do mergulho da chupeta na cachaça, os testes rejeitados pelas pernas tortas, a assinatura de contrato no Botafogo devido à interferência de Nilton Santos, as duas Copas do Mundo em um tempo onde a desconfiança da população no ditame era nula, o romance e traições a Elza Soares, as inúmeras lendas que cercam o jogador e, enfim, a derrocada final, quando Garrincha não conseguia simplesmente mais jogar, por sua culpa, sim, mas também muito por conta da destruição que o próprio futebol promove nas articulações e músculos com o tempo. Tudo isso e restou apenas risos, caretas, música e uma coreografia bem ensaiada.

Pode ser injusto dizer que não houve uma pesquisa, creio que as referências imagéticas provam que houve uma procura por materiais que endossassem as cenas. Porém, o resultado final serve apenas para reforçar um estereótipo de Garrincha que, no fundo, representaria um Macunaíma que “se liberta” poeticamente de uma vida incompreendida. A criança que voa livremente após a morte junto aos pássaros que caçava na sua mítica Pau Grande. Desculpe, mas esperava mais da Estrela Solitária. No fundo, o que irrita mais é que realmente parece haver uma escolha neste sentido. Ao que tudo indica, o autor buscava reforçar este lado tolo e pseudopoético do ídolo.

Assim, retorno a avaliação inicial. Todo o aparato de luz, cenas, atores e excelentes músicos acabam por servir tão somente para endossar melhor uma concepção que, de início, destrói com um ídolo ao invés de torná-lo carne, osso e espírito. No intuíto de descrever suas peculiaridades, estereotipa. Na tentativa de poetizar, retira toda a complexidade.

A incompreensão das grandes referências do teatro talvez torne minha avaliação pobre, não fujo da raia. As pessoas ao meu lado aplaudiram de pé, o que faz com que provavelmente esteja sozinho em meu veredito. Mesmo assim, não abro mão, nem pé dele. Uma opinião torta é, ainda assim, uma opinião. Até porque creio que um espetáculo como Garrincha se tem algum valor é justamente pelo fato de almejar uma grande audiência. Dito isto, qualquer pessoa, portanto, pode emitir seu juizado. Cá está o meu.

Trazer um diretor internacional referência no teatro para apresentar suas obras é sim um grande mérito e deve ser ressaltada a iniciativa. Porém, creio que Bob negligenciou as possibilidades do personagem que tinha em mãos. Garrincha é um drama, uma tragédia, é, enfim, um mito de criação de um futebol arte.  Se fosse um musical, deveria ser uma ópera. Se fosse uma dança, deveria ser um balé desses de machucar os dedos. Do modo que foi apresentado, sinto com pesar, que foi apenas um desperdício de uma grande oportunidade.

Por favor, Bob, não simplifique meu ídolo.

Bogado Lins é escritor, roteirista e, apesar de tricolor, é fã de Garrincha

Primeiro Dia de Aula USP São Francisco

O relato a seguir foi coletado na internet. Não se sabe se é verdadeiro ou quem escreveu, mas mesmo que não seja verdadeiro, é uma bela história:

“Primeiro dia de aula, o professor de ‘Introdução ao Direito’ entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
– Qual é o seu nome?
– Chamo-me Nelson, senhor.
– Saia de minha aula e não volte nunca mais! – gritou o desagradável professor.
Nelson ficou desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
– Agora sim! – vamos começar .
– Para que servem as leis? Perguntou o professor.
Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
– Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
– Não! – respondia o professor.
– Para cumpri-las.
– Não!
– Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
– Não!
– Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
– Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.
– Até que enfim! É isso, para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
– Para salvaguardar os direitos humanos…
– Bem, que mais? – perguntava o professor .
– Para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem…
– Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
“Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?”
Todos ficaram calados, ninguém respondia.
– Quero uma resposta decidida e unânime!
– Não! – responderam todos a uma só voz.
– Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
– Sim!
– E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vou buscar o Nelson – disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.”

RELATO DE AUTOR DESCONHECIDO

Gossip Art – Qual é a Mensagem?

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A coluna que sempre traz as fofocas da arte contemporânea, e clássica também, está de volta. Apresentamos sempre verdades, ou mentiras bem contadas, das celebridades cult que circulam pelo submundo da intelectualidade.

O caso de hoje é do cineasta Woody Allen. Um jornalista perguntou ao cineasta:

Jornalista – Qual é a mensagem que você quis passar?

Woody – Mensagem? Eu fiz um trato com os correios. Eles enviam mensagens e eu faço filmes.

 

Secretária do Lar

Também conhecida como “a moça que trabalha lá em casa”, entre outras definições eufemísticas. Mais conhecida anteriormente como “empregada doméstica” e, em tempos áureos, como “mucama”. É a pessoa que faz todo o trabalho sujo que as madames e patrões não querem fazer, ou por falta de tempo, ou pra não quebrar as unhas e tirar o esmalte. Há fortes suspeitas de que o termo começou a ser utilizado depois da PEC das Empregadas Domésticas, que garantiu direitos trabalhistas para a classe. Nesse caso a utilização do termo tem fins de burlar a legislação e conseguir que a “secretária do lar” durma na casa da patroa sem a necessidade de pagar adicional por isto. No entanto, a despeito do uso do termo, nenhum curso de secretariado incluiu em sua grade aulas sobre “limpar a privada”, “lavar louça” ou “como usar sabão em pó e detergente sem exagerar”.

Pedro Tostes é poeta e lançou recentemente o livro Jardim Minado pela Editora Patuá