Rostos

A imagem-afecção é uma espécie de tendência motriz sobre um nervo sensível, isto é, um esforço motor numa placa receptora imobilizada”.

Gilles Deleuze

Rosto é paisagem. Observe  os traços de alguém bem de perto, tão perto a ponto de constranger a pessoa visada. Dê preferência para desconhecidos, alguém que você não tenha a mínima idéia de quem seja. Se não te internarem num hospício, você vai ter a experiência única de observar um dos relevos mais expressivos da natureza.

A fotografia desperta  nossa percepção  sobre velhos escravos, vítimas de guerra, refugiados. Procuramos ler nestas imagens, nos sulcos dos rostos dos modelos, a vivência intensa, os sofrimentos, quem sabe as alegrias. Nas fotos de escritores, políticos, artistas, empresários; nosso olhar se desloca sobre  estas figuras imobilizadas no tempo, um segredo, uma explicação, um detalhe revelador. Mas o que vemos, por fim , é apenas um momento congelado e único em expressividade, fruto da sorte ou azar ,  sucesso ou  habilidade de fotógrafo.

No cinema existem os rostos perfeitos, lisos, retocados ao infinito. As telas permitiram que  os espectadores percorressem os traços livres de acidentes de Greta Garbo. Antes que as rugas aparecessem, ela se aposentou e imortalizou a sua visão em nossas mentes. Uma saída bem calculada para que o mito persistisse muito além da sua morte. Este é um dos maiores prazeres que a imagem pode nos trazer: ver muito de perto nossos ídolos, quase sentindo o cheiro. Daí vem o alicerce do Star System, que o cinema americano cultivou e a nossa Globo preservou. Criamos uma intimidade imaginária  com alguém que admiramos , desejamos e que nunca chegamos perto.

Uma mínima ação sobre um nervo muda toda a expressão desta paisagem, fazendo a diferença entre o riso solto e o sarcasmo, entre a dor e sua dissimulação. Esses ínfimos movimentos envolvem uma leve pressão dos músculos faciais para adquirirem sentido  e se tornam grandiosos pelo efeito que fazem na nossa percepção. Crispamos o rosto, num ondular único de músculos, pele e cartilagens e estamos tristes. Arqueamos as sobrancelhas e sai uma careta inexpressiva, falsa,  mas tão reveladora como o sentimento expressado plenamente.São movimentos que fazem a diferença entre um bom ator e um canastrão, uma diva ou um sucesso passageiro, um desejo intenso ou uma cantada previsível.

Um rosto significa muito mais do que este texto pode comunicar.

João Knijnik é escritor, roteirista e um rosto peculiar na multidão

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Meu Comandante

Os acontecimentos internacionais me impelem a um artigo. Escrevo quando quero, mas agora é preciso falar de Bush, de Bin Laden, de Sadam preso, de Lula, o comércio internacional, a guerra afetando as bolsas e a quem interessa isso. Ligo para  revista  e comunico que tenho muito a dizer sobre a conjuntura atual. O editor agradece efusivamente e  avisa  que vai parar a impressão por um par de  horas para esperar meu artigo.

Meu filho está alheio a tudo isso, mas com seus 4 anos, ele já sabe quem são essas personalidades com quem  me preocupo nessa tarde. Bin Laden tem uma sonoridade como um sino. Bin Laden. Bush é como um espirro, um balão que esvazia,  um peido seco. Lula , lalalalala, não preciso nem comentar.

Sábado foi aniversário do meu filho. Ele está entretido com um monte de brinquedos e assim ele não me pede tanta atenção e eu posso escrever o artigo. Ele monta e desmonta um avião. Depois pega um livrinho, vai para o videogame novo dado pelo avô. Aniversário de criança é um festival de brigadeiros amassados, de alguns conflitos localizados pois sempre tem um brutamontes mais velho se aproveitando dos menores: um dado sociológico em reuniões infantis, preciso refletir sobre o assunto . Hoje  a casa parece um santuário, um mosteiro no Himalaia, onde há paz e tranqüilidade, pelo menos até que  meu filho não canse dos brinquedos.

A tela do computador não diz nada . Não tem conteúdo, não inspira. Minha antiga máquina de escrever parecia uma metralhadora, saudade dela. Eu me sentia no meio das batalhas. Prometi o texto, tenho que cumprir. O que eu tinha para dizer parece não ser tão interessante. E agora?

Levanto para dar uma olhada no garoto. Ele está atracado num posto de gasolina , tentando descolar a construção da base. Reflito sobre o ato de vandalismo e procuro convencê-lo a deixar de lado atitude tão agressiva com a indústria petrolífera. Ele  aceita minhas ponderações, às vezes a diplomacia funciona. Então ele me passa um pacote ainda fechado. Eu observo dardos bem pontudos e ele  olha o fundo onde está o restante do brinquedo quando  começa a gritar com alegria o nome do mais famoso saudita  vivo, aquele do sino.

Ele entende o tal brinquedo  antes que eu. Coloca com firmeza o adesivo do rosto do Bin Laden no suporte de feltro , vibra quando vê o Bush e pergunta onde está a foto do Lula, que não sei porque não veio no encarte. Mas está lá o Exterminador  da Califórnia, o Reagan soando como um papel rasgado, e pasmem, o Menem. Porque o Menem? A resolução do mistério está na etiqueta: Hecho en Argentina.

Projeto os dardos contra a foto colada no feltro, depois troco de foto. Meu filho ri. Provo que o pai dele tem pontaria e assim vamos passar a tarde:  juntos acertando  mais uma vez o nariz de cada um daqueles idiotas. A tela do computador vai continuar lá, vazia como um campo aberto pronto para a batalha com rajadas do telefone, provavelmente o editor querendo me fuzilar , reintroduzindo a pena de morte no país.

Mas hoje, por medida provisória,  está decidido, duela a quein duela,: meu filho é o comandante.

João Knijnik é escritor, roteirista e professor de História do Cinema

PS: Esta crônica foi publicada no Livro  “ESTAS HISTÓRIAS, Áurea Rampazzo e Gilson Rampazzo (org). São Paulo,Museu Lasar Segall, 2004”. É um dos textos  elaborados na turma do Laboratório de Redação do Museu Lasar Segall, sob a orientação da Profa Áurea Rampazzo. Minha filha já estava a caminho, mas eu não sabia o sexo dela ainda e saiu assim, com a personagem no masculino. Em janeiro, para minha alegria, ela completa 10 anos.

Escrever Fora de Foco

O verbo não concorda com o sujeito. Muitos esssssses demais nesta frase. Mas cadê a frase? Mas será que se quis dizer alguma coisa? Mas será que se tem o que dizer?

Ele, ela, todos aqueles que escorregam nas concordâncias da língua portuguesa,  o que pode acontecer a qualquer momento neste texto, basta não revisar ou mesmo deixar passar uma regrinha , uma exceção, se igualar aos poetas da vida, que não ligam para as gramáticas , mas se perdem no turbilhão das sensações, e compreendem que o essencial, o fatual, muito além do banal, do percentual,  que o real….e será que esta frase nunca vai acabar nunca?

Escrever errado é que nem tirar fotos fora de foco. Pode haver beleza, sedução, imaginação. As idéias estão lá, virando poesia, se contorcendo atrás da névoa , pulando  entre consoantes mal amarradas, erres que decidem não aparecer para a festa, acentos sacrificados sem dó nem piedade , pronomes bêbados, óóóóóóóóós com dores de barriga insuportáveis, o t e o p reunidos com o m no meio de um festival de siglas e tornando  aqueles dias antes daqueles dias um inferno para toda mulher e seus parceiros.

Não há nada suave em escrever errado.

Acho que seria isso que eu quisesse dizê, não  perderia meu tempo e meu trampo se mim, que não faz nada, quem faz sou eu, sabesse  aonde se chegarei com tudo isso.

E tenhamos dito. Pelo não dito. Muito antes pelo contrário, às vezes.

João Knijnik é escritor, roteirista e professor de história do Cinema

Linguagem

Na ânsia de falar alguma coisa, nem que seja apenas uma opinião sobre a o jeito dela, a cor do carpete, um artigo de jornal; as palavras me fogem. Hoje acordei assim. Sem mais nem menos, tudo me escapa. Acho muitas coisas sobre tudo, mas não sei como dizer, o que dizer, porque dizer. Fico à deriva e apenas abro a boca, com uma expressão um tanto idiota. Ela me acaricia o rosto, dá um beijo suave no meu cabelo. Pede calma que tudo vai dar certo.

A tela do computador é mais uma metáfora, tão vazia quanto a folha em branco que sempre atormenta aos que escrevem. Um notário não tem esse problema: apenas copia longamente. Na falta do que escrever, reproduzo um poema e assino como fosse meu. Ela balança a cabeça, diz que não pode ser assim, de todo jeito sua voz flui entre as rimas, enfrentando as consoantes com leveza.

Resolvo caminhar, dar uma volta no quarteirão. Me sinto um saco de ossos mal calibrados. Ando sem prumo, desengonçado, as mãos soltas. Ela sorri e me chama, pedindo atenção. Eu vagueio por um território com harpas agudas tocando, respondo qualquer coisa, um aceno de mão, nem sei para que. Vejo farpas nas madeiras, pequenas agulhas despontando, melhor nem me aproximar. Ela já me olha de lado, já reconheço uma certa tensão.

Sinto um arrepio só de  pensar em ter que falar com alguém, ou ler alguma crônica, tudo parece difícil. Meu cérebro vagueia desconexo. Certas  expressões  parecem tão vazias. Preciso ligar para alguém , conferir com o contador o imposto a pagar, procurar trabalho, terminar um trabalho e sento e penso nisso tudo junto. Permaneço sentado. Seus olhos ainda me querem, mas já existe uma ponta de desistência.

Abro  jogos imbecis no computador. Sempre ele. Nem sei porque falo tanto dele. Paciência, campo minado, copas, sei lá o que mais. Paro e depois recomeço tudo. Estou repleto de pensamentos; alguns sujos , outros  belos, alguns mórbidos. Será que já é hora de mudar de parágrafo? Isso importa mesmo? Ela desvia pela primeira vez o olhar, aborrecida.

Hoje eu não sirvo para nada mesmo. A tampa aberta da impressora parece uma boca ameaçadora. Não quero imprimir nada, não vou conseguir ler nem escrever.  Jogo palavras sem sentido, tentando iniciar o texto: Caspa, eu?  Qual o tamanho do meu medo? Que filme eu assisti a dez anos atrás? Flor do lácio, sambódromo…

Meus pensamentos me impedem de compreender a Linguagem. Ela suplica que quer me ajudar, mas eu digo que isso não é possível agora. A caixa postal está completamente lotada,  Tem mensagem que já entra deletada. Ela tenta me seduzir, diz que me ama. Hoje não é um dia bom. Não tô legal, porra.

Antes do pedido de perdão pelo meu destempero, ela se afasta, magoada. Eu…

João Knijnik é escritor, roteirista e professor de história do Cinema

Empate

Caminho desenhando uma curva que sai da porta giratória em direção ao Caixa Eletrônico. No meio desse trajeto, o Gerente, sentado na sua escrivaninha falando ao telefone, me acena com a mão. O Banco está relativamente cheio, daqui a pouco a fila do caixa e o nervosismo das pessoas vão aumentar na mesma proporção. Este espaço chamado Instituição Bancária não é dos mais interessantes para se freqüentar.

O Gerente faz um sinal para que eu sente. Mantenho-me de pé. Na verdade, tem uma pessoa à minha frente. Um senhor de seus 55 anos, de terno e gravata, parece que veio pedir um empréstimo e está nervoso, aguardando a confirmação. O Gerente desliga o telefone, pede para que eu espere  e olha para o senhor. Falam algo sobre baixar o dinheiro de uma conta para a outra, numa linguagem quase cifrada de quem conclui uma conversa em que as informações principais já foram ditas. Faço um esforço para entender motivações, desejos, mas não importa. As mãos dos dois se encontram e o Senhor vai embora sem dizer até logo. O Gerente insiste para que eu sente, tenta ser afetuoso comigo, mas não me convence muito. Eu sento. Ele me mostra  um folheto publicitário e vai dizendo que ali tem tudo muito bem explicado, com percentuais de ganhos, fundos, saldos, seguros, carências, essas coisas. Eu olho sem ver, pensando o que é mesmo que eu vim fazer ali.

Quando me volto para o Gerente, minha atenção se concentra no prendedor dourado da gravata, observo sua forma, parece um escaravelho. Na verdade, acho o adorno muito feio, nada condizente com um cara jovem como o meu Gerente. O mau humor me sobe à cabeça, afasto o rosto num ângulo exagerado e percorro a profundidade do salão. Na  fila do caixa cheia de office-boys, uma mulher jovem, com uma tintura esquisita no cabelo, ruiva, quase abóbora,  agarra sua sacola de um jeito estranho, com as duas mãos levando próximas ao peito como se tivesse algo muito precioso ali. Logo atrás uma senhora morena, de meia idade, com um sinal gigante na face, quase um duplo nariz. Imagino que essa agência poderia ser um circo e a idéia me diverte por alguns momentos.

O Gerente está empolgado, acho que percebe a  minha falta de atenção, mas se esforça para vencer o desafio. Agora ele fala com as gengivas, enfatiza cada sílaba, querendo me chamar de volta ao seu mundo de cifras e percentagens. A Loira da Sacola chegou ao caixa. Ela retira um envelope lá de dentro e passa ao funcionário. O atendimento é rápido. A dos Dois Narizes , logo atrás, responde  o meu olhar como um desafio. O Gerente risca o folheto, assinalando  com uma caneta preta valores que eu não entendo. Eu balanço a cabeça como se estivesse compreendendo tudo. Retorno o rosto para a Mulher dos Dois Narizes, que continua respondendo fixo ao meu olhar. Na frente dela, a Ruiva da Sacola. Muito bonita, apesar da estranheza. Gostaria que ela me visse também, mas ela está muito voltada para a sua bolsa. Será um depósito ou uma retirada?

Procuro ver a ação dessa mulher, se é coerente com o que venho imaginando dela. Mas o que eu venho imaginando dela? Não entendo porque ela sorri para o caixa. Eles trocam meia dúzia de palavras aparentemente amáveis. Uma cordialidade sutil rola entre os dois. Isso me incomoda. Faço uma pergunta estúpida para o Gerente. Ele responde e repete a resposta, quase cantando, para não deixar dúvidas sobre a importância do assunto. Eu faço de conta que entendo, mas como sempre, sem convencer. Ele está realmente decepcionado, não sei se comigo ou com a baixa performance dele. Faz uma careta estranha, espera por uma resposta, consulta  o relógio.

Agora a Mulher dos Dois Narizes está no caixa. Volto o olhar para procurar a Ruiva da Sacola, giro o rosto para um lado e para outro. Tento calcular o tempo perdido no último diálogo com o Gerente. Acho que foram uns 30 segundos, ela deve ter conseguido chegar na porta giratória. Volto ao Gerente que responde a pergunta de um colega. Já perdi há muito tempo a atenção dele, mas ao menos ele nunca teve a minha. Empate na casa do adversário é vitória.

Quando eu começo a levantar sinto um forte desconforto: a Mulher dos dois Narizes se aproxima para falar com o Gerente e o seu olhar, como um raio,  encontra o meu.

João Knijnik é escritor, roteirista e Professor de História do Cinema

Tarde

Tarde solta no espaço

Eu e você

Um aqui

Outro ali

Fora de eixo

Paixão mistura fina

Sade no som

 

Tarde ausente de sentido

Suor e arrepio

Um sobre o outro

Desejo sem estilo

Um carinho errado

Um quase poema

Um verbo em vão

 

Tarde santa de tesão

Sexo é fácil

Amor nem tanto

Decide logo

Esquece o nome

Tarde noite

É cedo

É tempo

Eu solto

Eu torto

Você vem

Eu vou

João Knijnik é escritor, roteirista e poeta

Cortazianas

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Curioso que la gente crea que tender uma cama es exactamente lo mismo que tender uma cama, que dar la mano es siempre lo mismo que dar la mano, que abrir una lata de sardinas es abrir al infinito la misma lata de sardinas.«Pero si todo es excepcional», piensa Pierre alisando torpemente el gastado cobertor azul. «Ayer llovía, hoy hubo sol, ayer estaba triste, hoy va a venir Michèle. Lo único invariable es que jamás conseguiré que esta cama tenga un aspecto presentable».

As armas secretas – Julio Cortázar

Num dia de verão  lá nos anos 80, eu peguei um ônibus de Florianópolis  para Curitiba, rumo à Ilha do Mel. Na bolsa aquelas de couro comprada dos hippies, eu levava um livro do Cortázar. Ele havia falecido recentemente e era a primeira obra dele que tinha em mãos: Orientação dos gatos, que na versão original tem o nome de outro conto do livro: Queremos tanto a Glenda.

Passei a viagem toda devorando aqueles contos que me impressionaram de imediato. Textos concisos, beirando a estranheza da vida, sem julgamentos nem punições, aceitando o fantástico como algo natural e a linguagem como maneira de desvendar mistérios, sendo ela o próprio mistério.

Desci em Curitiba à noite e sai caminhando em busca dos amigos que estavam pelos bares. Perdido entre um boteco e outro, bêbado e perplexo  com os contos, não sentia estar lá, mesmo estando.Cortázar tem um ensaio sobre isso: Del sentimiento de no estar de todo. Parece que entendi algo essencial de mim: a descrição de um  desconforto que logo me identifiquei, uma maneira de estar por dentro e por fora, ou nem uma coisa nem outra, um olhar oblíquo.  Bem a cara de Curitiba:  cidade de Paulo Leminski e Luiz Rettamozo.

Ai li tudo que eu podia dele e como ele foi generoso. Cortázar  escrevia como os coelhos procriavam (ou eram vomitados como num conto dele): romances , contos, ensaios, poemas. Me perdi nos labirintos do ˆJogo da Amarelinha ( a morte de Rocamadour  e a loucura de BertheTrepax) , sucumbi perplexo a Las babas del diablo e fiz voltas ao dia em oitenta mundos.

Ainda estou em plena viagem.  Ganhei, faz alguns anos, das mãos de um outro apaixonado por ele, um catálogo completo sobre uma exposição e mergulhei de novo nasua obra. Pareciam ser outros livros porque lê-los é uma experiência que muda de acordo com o período da vida.

Não posso deixar de me emocionar por esta data redonda, pensando nesse cara que  me trouxe um olhar entre o patético e o poético, que fez tanto por mim me acordando e me fazendo sonhar ao mesmo tempo, não existe limites para o imaginário. Vesti bem essa visão de mundo, e ainda serve, mesmo que eu tenha engordado um pouco.

João Knijnik é escritor, roteirista e professor de história do cinema